Divulgação/Funerária Morumbi

A Unesp tem colaborado com diversas prefeituras do estado de São Paulo no dimensionamento dos serviços serviços funerários municipais diante da pandemia do Covid-19. O professor Irineu de Brito Junior integra um comitê de logística que tem elaborado simulações capazes de dimensionar o número da frota veículos, o tamanho da equipe ou horário de funcionamento dos cemitérios, por exemplo.

Os trabalhos do comitê começaram no início de Abril, para a cidade de São Paulo, e já colaboraram também com Osasco, Campinas e Sorocaba. Nas próximas semanas, a equipe deve se dedicar aos municípios da Baixada Santista.

Com formação em engenharia de produção e logística, Irineu de Brito é professor no curso de Engenharia Ambiental da Unesp, no câmpus de São José dos Campos, e se especializou na gestão de riscos e de desastres, inclusive capacitando equipes em campos de refugiados na África e Ásia.

Além do docente da Unesp, participam do comitê o professor Luiz Antonio Tozi, da Fatec de São José dos Campos, e Manoel Capistrano, gestor de projetos da Paragon Simulação, empresa que doou o software Arena, usado para fazer as simulações dos cenários. O comitê foi constituído depois que notícias sobre o colapso funerário em Guayaquil, no Equador, e em Milão, na Itália, chocaram o mundo.

As simulações elaboradas pelo comitê compreendem processos que vão desde a ocorrência do óbito até o sepultamento, em uma cadeia que inclui o acionamento do serviço por parte da família, o deslocamento do veículo, a colocação na urna funerária, o transporte, o velório (ou não) e o sepultamento. “Para cada um desses processos foi estabelecida uma distribuição estatística. A partir daí, com base em informações do histórico de sepultamentos do município em estudo, foram estabelecidos cenários para a demanda do respectivo serviço funerário”, explica.

São Paulo
Algumas ações do poder público na Capital, como o uso de frigoríficos, iluminação de cemitérios para sepultamentos noturnos ou a abertura de covas, têm relação direta com as simulações feitas do comitê. “Nós não entramos no mérito se a prefeitura tem que aumentar a mão de obra ou quantidade de veículos, nem temos autonomia para isso. O que fazemos é estabelecer cenários e apresentar, por exemplo, a quantidade de veículos, equipes e covas necessárias para cada um dos cenários. A comparação entre a situação atual e os cenários é feita pela prefeitura”, explica Irineu.

Em maio, a prefeitura de São Paulo registrou 9.794 sepultamentos nos cemitérios da cidade, um aumento de quase 70% em relação ao mesmo mês em 2019, quando foram registrados 5.799 sepultamentos. Apesar das imagens de covas abertas no maior cemitério da cidade, localizado no bairro de Vila Formosa, terem causado desconforto na população e estampado a capa de jornais, o sistema funerário da Capital tem se mostrado resiliente até o momento.

“Em gestão de desastres uma das fases é a preparação. No caso da pandemia, apesar de sua chegada ter sido muito rápida e não ter havido tempo para a preparação de alguns serviços, o sistema funerário pode se preparar, e a nossa simulação foi uma das medidas desta preparação”, explica o professor da Unesp.