Foto: Divulgação/SSP

As denúncias de abuso e violência policial continuam a aparecer durante as ações da Operação Escudo, realizada pela Polícia Militar (PM) na Baixada Santista, principalmente no Guarujá. Relatos de moradores colhidos pela Defensoria Pública de São Paulo são aterrorizantes.

Os depoimentos foram feitos por pessoas que testemunharam abusos de agentes policiais.

Em um dos casos, segundo denúncias, PMs abordaram crianças para indagá-las a respeito da localização de supostos traficantes da região, enquanto elas brincavam em um campinho de futebol.

“Como se recusaram a informar o solicitado, [os policiais] mandaram que se jogassem no canal caso não quisessem morrer. O canal recebe água de esgoto e mangue. Nenhuma criança se afogou porque logo em seguida foram socorridas por suas genitoras”, destaca um relatório do depoimento, obtido pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Outro relato aponta que a população da Baixada Santista vive assustada com a violência praticada pela PM. Uma testemunha chegou a afirmar que é só a polícia subir o morro que “morrem pessoas”.

Mais uma testemunha disse que um imóvel de sua propriedade foi demolido por PMs. Ela ressaltou que não morava no local desde 2009, mas deixou a casa sob a responsabilidade de uma amiga que fazia visitadas periódicas e limpava a residência.

Há, ainda, relatos de execuções sumárias, tortura e outros abusos promovidos pelas forças de segurança, segundo informações do Conselho Nacional de Direitos Humanos.

“Contudo, em apenas uma ocorrência há menção de um policial militar ferido e nenhuma outra traz qualquer referência a viaturas atingidas por disparo de fogo”, destacou a Defensoria.

Governo de São Paulo diz que não há irregularidades na operação

Mesmo com as inúmeras denúncias, o governo de São Paulo e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disseram que as investigações não apontaram irregularidades na Operação Escudo.

Durante a ação policial, pelo menos 28 pessoas foram assassinadas, fazendo com que a operação fosse a mais letal da polícia de São Paulo desde o Massacre do Carandiru, chacina em que 111 presos morreram.