Tomaz Silva/Agência Brasil

O Programa Nacional de Imunização (PNI), responsável pelo controle de doenças e pela organização da política vacinal no país, está sem coordenação há cinco meses, desde a saída de Franciele Fontana em 7 de julho.

Além de controlar todos o esquema vacinal que envolve a Covid-19, o PNI, existente há 48 anos, é responsável pelo controle de todas as doenças no Brasil.

Em outubro, o médico pediatra Ricardo Gurgel chegou a ser nomeado coordenador e ter o seu nome publicado no Diário Oficial da União, mas foi vetado pelo presidente Bolsonaro por ser a favor das vacinas.

O desmonte do PNI já produz resultados concretos: em 2020, o país atingiu patamares de vacinação similares aos da década de 1980. Além disso, a queda na cobertura vacinal é sentida desde 2016, antes do surgimento do coronavírus.

“A verdade é que o governo Bolsonaro desmontou o PNI. A gente tem tido, em diferentes estados, falta de vacina – não porque não a temos, mas porque não chega. O ministério deixou insumos vencerem aqui em Guarulhos. É um descaso muito grande, e isso é uma tragédia porque o programa é um patrimônio brasileiro que existe antes do SUS”, diz Rosana Onocko Campos, presidenta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Sem contar o programa de combate à Covid, o PNI é responsável por distribuir, todos os anos, 300 milhões de doses de imunizantes todos os anos, que são aplicadas em mais de 38 mil salas de vacinação espalhadas pelo Brasil.

PNI: sem coordenação, sem diretriz

Gurgel, que chegou a ser nomeado para coordenar o PNI, declarou ao UOL que a negativa ao seu nome foi um “grande elogio”, mas salienta que o PNI sem coordenação, “não tem diretriz para enfrentar a queda” no esquema vacinal da população brasileira.

Para Gurgel, “dizer que a vacina [anti-Covid] é experimental é uma mentira muito grande! Antes de uma vacina chegar à aplicação em um humano passa por diversas fases de teste, só chega quando é comprovadamente segura. Quem procura coisas nessa vacina não é contra só ela, mas visceralmente contra qualquer vacina”.

Desmonte anunciado

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, o desmonte do PNI começou em 2019 quando o governo Bolsonaro anunciou o fim do Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI).

O Comité era o órgão responsável para manter o diálogo entre os municípios, estados e o governo Federal.

A deputada federal e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PR), usou as redes para criticar o desmonte no Plano Nacional de Imunização. Para Gleisi, trata-se de “mais um atentado do genocida contra a saúde do povo”.

Com informações do UOL

Marcelo Hailer
Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).