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“A maioria que tem consciência ambiental é de esquerda”, admite vice-presidente Mourão

O general, presidente em exercício, diz que todo mundo jogaria pedra em Bolsonaro se ele fosse à COP-26

Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

Por Henrique Rodrigues

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, foi acometido por um surto de sinceridade nesta sexta-feira (29). A sair do seu local de despacho, em Brasília, o militar que comanda o país na ausência de Jair Bolsonaro disse a um grupo de jornalistas que as pessoas que têm consciência ambiental são do campo ideológico da esquerda.

“A gente sofre crítica, eu já falei, por três fatores: existe a questão política, já que o nosso é um governo de esquerda, a maioria das pessoas que tem realmente uma consciência ambiental são de esquerda, então há crítica política embutida nisso aí”, admitiu o general da reserva.

A fala vem no contexto da viagem do presidente Jair Bolsonaro à reunião do G20, em Roma, na Itália, após recusar comparecimento à COP-26, em Glasgow, na Escócia, onde estão sendo tratados assuntos sobre o clima. O mandatário brasileiro está sofrendo com protestos de vários tipos na terra da pizza, onde é visto como um extremista de direita que impõe políticas devastadoras ao meio ambiente e apoia violações aos direitos humanos.

Protestos

Indignados com a concessão de cidadania honorária para Jair Bolsonaro, os integrantes do grupo ambientalista “Rise Up 4 Climate Justice” picharam a sede da prefeitura de Anguillara Veneta, no norte da Itália. A frase “Fora Bolsonaro” estampou a parede do prédio oficial. Além disso, os manifestantes espalharam tintas coloridas pela fachada.

O grupo afirmou que Bolsonaro “representa perfeitamente o modelo capitalista, predatório, destrutivo e colonialista contra o qual lutamos”.

“Um dos grandes poderosos da Terra, negacionista da crise climática e responsável por ter destruído 8,5 mil quilômetros quadrados de Floresta Amazônica para dar espaço a cultivos intensivos e ao modelo de exploração do qual se faz promotor”, destacaram os ambientalistas.

Sem recepção

Diocese de Pádua, localizada em Anguillara Veneta, também não concordou com a concessão do título de cidadão honorário dado pela prefeita Alessandra Buoso ao presidente brasileiro. Os frades decidiram que, na próxima segunda-feira (1), data em que Bolsonaro estará no local, não o receberão na basílica de Santo Antônio.

O prefeito de Pádua, província onde fica localizada Anguillara Veneta, Sergio Giordani, de centro-esquerda, também informou que não está programando nenhum encontro e que sua agenda já está lotada para a segunda-feira.

Anguillara Veneta é a cidade onde nasceu Vittorio Bolsonaro, em 12 de abril de 1878, que emigrou para o Brasil aos dez anos. Ele é um dos 16 trisavôs de Jair, treze dos quais são italianos, dois alemães e um brasileiro. Ele tinha planos de, durante a ida ao povoado de seus antepassados, visitar a basílica de Santo Antônio.

Porém, segundo o portal italiano La Stampa, os frades responsáveis pela basílica afirmaram que não haverá delegação para recebê-lo e que poderá fazer suas devoções “como um simples fiel”. De acordo com comunicado da diocese, a homenagem da prefeita ao presidente brasileiro criou “forte constrangimento”.

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